05 agosto 2008

As histórias e os episódios estrambólicos repetem-se todos os dias. E não é que nos encham sempre o coração, mas fortalece-o e dá resistência.
Ás vezes até gostamos de poder vive-los, apetecia só que fosse menos vezes para poder ser melhor. Estamos ainda no início.
O facto de não termos luz e água, por regra, uma vez por semana já faz parte.
O facto de sentir a catinga entrar na nossa casa, também já é habitual.
O facto do nosso motorista dispensar o salário para o mês seguinte porque senão não se controla e gasta tudo, é o êxtase da semana.
Todas as semanas juntamos um monte de cenas para contar. E acho que é isso que faz grande parte da experiência por cá.
Para quem já viveu em terras africanas sabe e eu também já sinto que os amigos são para a vida; que a resistência aos nervos aumenta; que o sentido prático fica com certeza apurado; que despertamos emoções em sentidos opostos, ora somos duros ora damos a mão.
Claro que preferimos o conforto da nossa casa e o reconforto da nossa família e dos amigos. Claro que preferimos andar de carro de janelas abertas sem sentir que de repente ficamos invadidos por uma nuvem de pó.
Sentimos falta do silêncio. Sentimos saudades do bacalhau com natas preparado pela nossa mãe. Sentimos falta de passear na rua, da nossa cidade. Mas se quisermos imaginar que estamos numa cidade cosmopolita, civilizada, controlada, com arranha-céus e ruas limpas, vamos até à ilha e voltamo-nos para a baía. Só tem é que ser de noite.
O trabalho ameaça melhorar e ganhar interessantes proporções. O estilo e o ritmo são diferentes; mais veloz pelo nosso lado e mais lento pelos de cá, e é essa tensão que é difícil controlar, mas que dá pica.
Os fins-de-semana sabem a férias e são muito intensos.
E os amigos são num abrir e fechar de olhos, os melhores!

2 comentários:

Sininho disse...

Adorei a tua descrição!!!Tá tal e qual!
Muitos beijinhos!
Cris

joao pedro disse...

baby, está tudo nas tuas palavras....
beijinhos...
jp