30 outubro 2008

a um dia e meio do FDS

Aproximam-se dois fins-de-semana generosos! Queríamos aproveitar para desbravar terreno angolano. Há muitos kilómetros de terra para conhecer e vontade de fugir da cosmopolita cidade de Luanda (risos). É que o bulício da capital está a tornar-se estonteante e nós merecemos um certo alívio!!!
Bem, tudo isto para dizer que temos vontade mas ainda não temos programa. Pensámos em viajar até Malange, mas não temos onde dormir. O programa passa por visitar as cataratas de calandula e o parque nacional de kangandala, mas segundo me está a parecer vai ter de ficar adiado….

De olhos postos na rua

Todos os dias no caminho casa-escritório-casa lembro-me de um monte de coisas que gostava de contar.
Desculpem, mas é da minha natureza! Aqui gosto de olhar mais, ver quem passa, como se vestem, o que dizem. Levanto os olhos e entre uma passagem fugaz e outra mais lenta, fixo-me nos edifícios. Quando há mais tempo, cerro os olhos para imaginar, para perceber o pretexto e a motivação destes traços modernos, que na maior parte dos casos estão camuflados com colagens feitas com “cuspo”.


Então é assim, hoje falo de olhos postos na rua.

Na rua acontece tudo. Passam zungueiras – mulheres vendedoras – com alguidares de fruta na cabeça, enquanto outras conversam sentadas no chão, de pernas esticadas, passam zungueiras de cabeça erguida transportando os bebés nas costas. São muitas e só por percorrerem, de certo, alguns kilómetros por dia, de costas direitas e rabo espetado, vale a pena dizer que são valentes!
Vejo homens vestidos a preceito com animadas gravatas a acabar no segundo botão da camisa num fato bege clarinho. Passeiam-se contentes e fanfarrões, como se vestissem o último grito da moda. Por cá, parecem ser mesmo essas as tendências.
Na rua ouvimos falar alto, gritar, berrar. Na estrada, eles fazem uso exaustivo da buzina do carro e põem as colunas áudio a vibrar com a kizomba. Mais do que tudo não conseguem respeitar uma fila única, agem naturalmente fora da lei e isso é que nos faz perder a cabeça.

14 outubro 2008

DE VOLTA!!!!!!

Depois de quase dois meses de silêncio é tempo de voltar à base. Já tinha saudades!!!
Volto atrás só para vos apresentar os putos do “bairro” e a malta do nosso dia-a-dia, para mostrar o almoço inaugural do fabuloso terraço dos PC’s, volto atrás para registar o momento da campanha eleitoral e mostrar a imagem da cidade de Luanda.
Volto atrás para dizer que o casamento da Inês e do Beto foi um espectáculooooo, volto atrás para dizer que a Sofia e o António foram pais e estão de volta com o Afonso, que a Tatiana já tem o seu Pedrinho nos braços, que a Lara e a Maria estão prestes a serem mães enquanto nós por cá, continuamos em festa! …a ver pelo fim de semana passado…agora é que vão ser elas!
Andámos todos desencontrados. Depois dos meses de Agosto e Setembro em constante vai-vem entre Portugal e Angola, aterrámos e abrimos a nova temporada com um fim de semana memorável na saudosa praia de Cabo Ledo e na Barra do Kwanza.
Hoje não estou “praqui” virada...só para dizer que se avistam bons tempos por cá…Ainda devo estar a ressacar do choque da chegada. É que voltar a casa e não ter água e luz e ter um frigorífico mal cheiroso não é pêra doce. Bendita civilização!!!

Volto em breve com boas histórias para contar.

O terraço mais à frente de Luanda City

A Família PC abriu-nos a porta da sua casa, ofereceu-nos um delicioso almoço e uma generosa vista sobre a Baía de Luanda. Venham conhecer o espaço mais cool da Capital:



Teresa e Miguel à mesa com Sofia e Miguel, Susana e João Pedro

Eles são...

o Ya Ya e o Pai Zé

O Conceição "o lavador dos carros", O pequeno Conceição, que trata primorosamente do carro do João Pedro e ainda diz “obrigado chefe”

o Pedrito "o guardador do barraco", que estranha sempre quando saímos às 8h para a praia, com “este frio!!!!”


A Inês, responsável pelas "operações domésticas" e presença fundamental lá em casa

Luanda, a cores





Volta pela Ilha em tempo de Eleições

Na semana das eleições a cidade estava mais concentrada nesse grande acontecimento do que em qualquer outra coisa do dia-a-dia. Afinal 16 anos depois do último escrutínio, os angolanos despertavam agora para os grandes sinais de mudança do seu país. Repetiam-se bandeiras, cartazes, gritos e comícios. No dia 3, ante-véspera das eleições, parou tudo. Havia sido dada, pela rádio e bem cedo, o anúncio de tolerância de ponte. Era sinal de faltar ao trabalho, com permissão, de ouvir os últimos discursos e gritar! De certo que se juntaram multidões, a cidade estava estranhamente calma, como nunca vi…eu regressei a Lisboa, mas estou de volta em breve. Dia 5 é para vencer, Boa sorte Angola!




15 agosto 2008

Porto de Luanda by night

Depois da bola, fomos até ao Porto de Luanda. Devo confessar que, de tanto ouvir falar, tinha muita curiosidade de conhecer. O João Pedro tinha que ir lá inspeccionar os “seus homens”, ver o navio a operar e impor autoridade, se não aquilo não avança.
Parece que entramos numa mini-cidade. Há ruas, há construções feitas de contentores que sobem em altura a cada dia que passa e há pessoas a circular, a manobrar máquinas e a dormir. E aí é que está “the point”. Os “homens” que deveriam estar a trabalhar estavam a dormir. O chefe João apertou com eles e chamou-os ao escritório no dia seguinte. Eu fiquei a fotografar aquilo que conseguia ver e prometo que a próxima reportagem será de dia. Vale a pena conhecer o tão famoso Porto de Luanda.




Fomos ao Estádio

Ás terças normalmente nós, as míudas, jantamos juntas, enquanto eles suam que nem uns perdidos e perseguem uma bola durante uma hora e meia. Mas hoje nós, também, fomos ao estádio. Pensámos que iríamos encontrar um campo de futebol em terra batida mas eis que aparece o Grupo Desportivo da Banca. Foi a verdadeira surpresa!!
Hoje a claque foi reduzida – eu, a Maria e a Teresa. Mas a Lara também lá passou, só que foi uma hora antes e muito mais do que “puxar” pelos rapazes, deixou as tão preciosas receitas da Maria à Senhora do Café…que coisa tão civilizada…Estou a adorar isto!
A juntar à claque feminina estava o treinador de bancada, o mister João Pedro e o lesionado Xiquinho.
Os miúdos até se safaram bem na jogatana. Eu não percebo nada disto, mas a ver pelo resultado a equipa visitante ficou muito aquém das expectativas (6-1).




Fomos ao estádio





Os podres

Não pensem que isto é lindo e maravilhoso! Os “podres” tinham um dia de aparecer e têm de ser ditos.
Aqui, e nas áfricas em geral, acorda-se cedo. Aqui, em particular, em Angola, trabalha-se até muito tarde. De segunda a sexta para uns, de segunda a sábado para outros, muitas horas a um ritmo alucinado e com muita energia desperdiçada. Para circular é sempre no caos do engarrafamento, nos toques que levamos no carro, nos miúdos chatos que quase nos obrigam a comprar alguma coisa na rua. Livra!
Durante a semana, Luanda enche-se de lixo, há charcos de água suja, há um mundo de animais domésticos – ratos, ratazanas e baratas. Há melgas e mosquitos que não nos largam. Não se pode beber água da torneira, porque está cheia de cólera e mais; há pó de segunda a domingo e ruído insuportável de quinta a domingo. É bom, não é?!
Ao fim de semana não vemos nada disto porque raramente estamos, mas tudo permanece. Acham maravilhoso? Vá agora digam?!

O dia a dia com os locais

Ainda não vos tinha falado nas pessoas ‘encantadoras’ com quem me cruzo diariamente?!
Ás 7.30 h aparece a Inês, esbaforida por ter subido oito andares, começa logo a preparar o pequeno-almoço, meia baralhada, quase que tropeça em cima de mim, mas fora isso, não tem falhado e faz uma sopa de tomate memorável. A Inês é a nossa empregada que veio substituir a Elisa que se foi embora num “vou indo Sô Pedro”. Em 3 meses, já lá vão duas! Depois cruzamo-nos com o Pedrito na saída para o parque de estacionamento. Ele é o nosso guarda. Desde o primeiro dia que nos sorriu. Gostei dele, sinto confiança! Já ficou algumas vezes com as chaves do meu carro, já me pediu emprego para o filho e já chegou a receber a oportunidade da vida.
Até há dois dias atrás, encontrava-me logo a seguir com o Aníbal, que me recebia de braços abertos (risos!), que me dizia “bom dia” porque o obriguei a isso e que levou com algumas “lições de moral”. Patrão é mau!!! Depois ligou-me a dizer “Amanhã, já não venho mas tenho uma pessoa de confiança para me substituir”. É pois a altura de conhecer o novo motorista, o Justino que se intitula de “Relações Públicas”. Isto vai ser demais, agora com um ‘RP’!!! Sigo para o Escritório, passo por um batalhão de guardas e alguns motoristas que se reúnem na rua, num canto e com uma televisão. O Aníbal já estava ambientado e juntava-se ao grupo para ver as novelas e os jogos de futebol. Lá dentro, no escritório, elas vestem-se como todos os dias fossem uma festa, cumprem rigorosamente os horários e são mexidas. A Ruth é a nossa melhor referência angolana a nível profissional. Sabe de protocolo e é competente, ela é a nossa administrativa mais à frente.
No regresso a casa, à entrada da garagem aparecem os miúdos da rua, a quem fiz questão de me apresentar. Eles são o Ya Ya, o Pai Zé e o Mateus. Vivem na rua. Eles sabem quem somos e qual é a nossa casa. Um dia destes falei com o Ya Ya e expliquei-lhe que não podemos todos os dias “abrir a carteira”, que prefiro dar-lhes comida. Ele sabe que eu não sou “boss”, foi assim que me disse e espera até eu lhe querer dar. Chama-me de Madrinha e ao Baby, de Pai Grande. Em breve tenho, de certeza, mais histórias para contar. Só espero, pelo menos, que a Inês e o Justino se fidelizem. Todos já fazem parte de cada dia! Esperem por conhece-los, brevemente!

12 agosto 2008

O Mercado foi abaixo!

Sem avisar, foi!
Todos os dias fazia parte do meu percurso matinal. Não havia dia algum que não olhasse para aquela Obra.
Percebi logo que era, sim era, porque agora só é nas memórias, uma das maiores obras de Luanda, se não de Angola, se não de África.
O Mercado do Kinaxixe (MK) foi projectado pelo Arquitecto Vasco Vieira da Costa no início dos anos 50, na época moderna do tempo colonial. Em África, viviam-se tempos de liberdade criativa, vontades de experimentar a modernidade, longe dos revivalismos e tradicionalismos que se assistiam em Portugal.
O MK foi uma das grandes obras deixadas pela geração africana que passou por Angola.
Agora foi abaixo!Esta assinalável perda dá agora lugar a um monte de entulho e destroços. Esperemos, então, para ver o arrepiante centro comercial que se prevê nascer para aquele importante lugar da cidade. O largo do Kinaxixe estava tão bem assim!





Domingo no Mussulo

Hoje fomos, finalmente, ao Mussulo.
Acordámos tarde, colámo-nos ao programa de domingo da Inês, do Beto e do Ricardo e passámos o dia do lado de lá.
Chegámos. A casa dos tios da Inês está rodeada de palmeiras, coqueiros e fica a 50 m da água e foi aí que espreguiçámos.
Chega-se pela areia, imaginem?! Aqui já se respira tranquilidade.
Depois do almoço, eles fizeram “surf-boat” e eu tentei. Não há fotos que comprovem mas eu estive lá, infelizmente, sem sucessos! Entre quedas e altas exibições, entre fotos e filmagens lá chegou o fim do dia. Com o gasóleo a acabar e o sol a desaparecer, tivemos de regressar a casa, desta vez, chegámos de barco a Luanda. Eu adormeci embalada, o Baby ainda viu uma baleia. Que show!!






Domingo no Mussulo






Fds em Benguela

A Teresa faz anos hoje (1.Ago): este foi o pretexto para a ida a Benguela. Que boa ideia!
Desta vez éramos “os 7”: Eu, o Jp, a Teresa, o Miguel, o Pedro, A Sofia e o Miguel “Ken”, e foi do melhor!!!
Chegámos ao aeroporto da Catumbela e já sentíamos diferença para Luanda. O ambiente era calmo, tranquilo e aparentemente mais limpo…Uau!
Chegámos à Colina das Estrelas, na Catumbela. O nome assenta-lhe bem, eu diria mais: cinco estrelas! Aqui, do alto do monte, dos bungalows onde iríamos ficar, víamos o rio, a linha de comboio, a estrada que liga Benguela ao Lobito, víamos o musseque, muitas palmeiras e bananeiras. Tudo isto em 360 graus. Inesquecível!
Fomos ao Dombe Grande. Durante a viagem alternava ora paisagem seca e árida, ora oásis de bananeiras. Passámos por crianças aos saltos na rua, vimos roupa estendida sobre a terra ao longo do rio, mulheres a vender bananas e vimos o mercado agitado da aldeia. Chegámos à terra que em tempos foi a mãe da indústria açucareira. Chegámos à fábrica, passámos nas antigas casas das pessoas que ali viviam e trabalhavam e ficámos convencidos pela beleza daquele lugar, num misto entre o orgulho luso-colonial e o desgosto do abandono. Fizemos um pic-nic na praia deserta de Cuio. Ouvimos música, tirámos fotos, bebemos champagne e comemos salmão fumado, estávamos em alta! Voltámos para Benguela, demos uma volta passando pela casa do governador e preparamo-nos para a festa que tínhamos à noite. Fomos surpreendidos. E sem percebermos como, estávamos numa festa de aniversário de uma menina de 8 anos. Conseguem imaginar o espanto e a risota geral?! Haviam balões, flores de cartão, croquetes, chupa-chups e muita música da xuxa, No início pareceu-nos estranho... depois fizemos a festa!
Depois “Xirinawa” ao melhor ritmo africano. Muita kizomba, produção feminina, uma garrafa de gin e a maior diversão!!!!
No domingo, voltámos à capital. Lá teve que ser. Ficávamos mais uns dias, na maior!
…Soube tão bem este fim-de-semana. Obrigada, em especial, às “PC’s” pela excelente organização e pela boa companhia!


Su, Sof e Teresa

A vista do nosso bungalow, ao por do sol


Não chegámos de train mas vale bem a pena este registo

Benguela